Treinamento de Futebol de Campo

Nino Antônio Severiano (Nino Severiano)

DEFINIÇÃO DE ESPORTE OU PROVA

Quando um jogo segue formas corretas de jogar e regra oficial é chamada de desporto (TEIXEIRA, 1995).

O desporto é alimentado pelo espírito de competição, onde o objetivo é a vitória justa e honesta, nas disputas cria situações onde os indivíduos são estimulados a se superar para conseguir o sucesso desejado.

As regras que o desporto obedece são as mesmas em todo os lugares e são determinadas por federações desportivas, e denominadas regras oficiais.

HISTÓRICO DO FUTEBOL DE CAMPO

Segundo TEIXEIRA, (1995), é um esporte coletivo, não se sabe ao certo onde nasceu, alguns dizem que surgiu na China, outros, que nasceu na Itália. Entretanto todos concordam que a organização e o desenvolvimento do futebol moderno ocorreu na Inglaterra. Foi Charles Miller, filho de pai inglês e mãe brasileira, que ao retornar ao Brasil, após concluir curso na Inglaterra, trouxe o futebol para o Brasil em 1894, logo este esporte se tornou o “esporte das multidões”, despertando paixões e empolgando muita gente. O Brasil é pentacampeão mundial de futebol. Ganhando as copas do mundo de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.

HISTÓRICO DA PREPARAÇÃO FÍSICA NO FUTEBOL

A preparação física no futebol é um dos fatores que mais evoluiu nas últimas décadas e continua evoluindo. O conhecimento do condicionamento físico para o futebol é de vital importância para o sucesso de uma equipe dentro de uma competição.

Os primeiros indícios de treinamento físico no Brasil datam do início do século passado, por volta de 1904. As equipes paulistas tentaram substituir os treinamentos que reproduziam partidas, por outros tipos de treinamentos. O motivo inicial talvez tenha sido a dificuldade de se encontrarem atletas para realização desses treinos. O emprego de exercícios de condicionamento físico, como corridas de 100, 200, 400 e 800 metros, além de luta romana, ginástica alemã e halteres, passou a ser rotina entre as equipes. O importante a ser ressaltado era a preocupação com a força e não com a velocidade dos atletas.

CLASSIFICAÇÃO DA PROVA:

A partida de futebol é disputada no coletivo entre duas equipes composta de 11 jogadores cada uma, no campo de Jogo, com 90 metros de comprimento por 68 de largura, e ou 120m x 70m, com dois tempos de jogo com duração de 45 minutos cada, com um intervalo de 15 minutos, sendo que nas categorias até juvenil esse tempo é transformado como, ex. pré-infantil dois tempos de 25min. Os atletas utilizam-se de movimentos cíclicos e acíclicos, com um pedromínio no acíclico, aberto.

SOLICITAÇÃO DOS SISTEMAS ENERGÉTICOS:

A prática regular de atividade física aumenta a capacidade respiratória, melhora a circulação sanguínea e aumenta a força muscular.

Numa partida de futebol utiliza-se de resistência anaeróbica e aeróbica, com um predomínio na resistência aeróbia.

A principal via metabólica durante o futebol competitivo é a aeróbia e as respostas metabólicas são em geral análogas às encontradas nos exercícios de endurance. A maioria das atividades é composta de movimentos sem bola (REILLY; BANGSBO; FRANKS, 2000).

O futebol compreende vários tipos de deslocamentos, embora a caminhada e o trote sejam predominantes. É necessário treinar a capacidade de resistência aeróbia para que os jogadores possam se movimentar, durante os 90 minutos, com períodos de movimentos de alta intensidade, como acelerações em pequenas distâncias (YAMANEKA; ASAMI; TOGARI et al., citado por PERES, 1996).

FATORES FÍSICOS PREDOMINANTES:

Velocidade de deslocamento; Coordenação; Ritmo; Resistência muscular localizada nos membros inferiores; Flexibilidade, Descontração diferencial, Descontração total. (TUBINO, 1979).

QUALIDADES FÍSICAS:

As qualidades necessárias ao jogador de futebol são:

1- FLEXIBILIDADE
2- FORÇA DINÂMICA
3- FORÇA ESTÁTICA
4- FORÇA EXPLOSIVA
5- RESISTÊNCIA MUSCULAR LOCALIZADA
6- RESISTÊNCIA ANAERÓBIA
7- RESISTÊNCIA AERÓBIA
8- VELOCODADE DE MOVIMENTOS
9- VELOCIDADE DE REAÇÃO
10- AGILIDADE
11- EQUILÍBRIO
12- PRECISÃO
13- DESCONTRAÇÃO
14- COORDENAÇÃO

* FLEXIBILIDADE

A flexibilidade é uma qualidade física evidenciada pela amplitude dos movimentos das diferentes partes do corpo num determinado sentido e que depende tanto da mobilidade articular como da elasticidade muscular. Os exercícios exigem um músculo estirado ou em extensão, que deve ser máxima, desde a sua origem até o seu ponto de inserção. A musculação pode limitar a flexibilidade, mas, se combinado com o trabalho de força, esse prejuízo pode ser evitado, já que se sabe que não existe impedimentos para a coexistência entre flexibilidade e hipertrofia muscular nas mesmas zonas corporais. O calor auxilia muito o trabalho de flexibilidade. O treinamento da flexibilidade deve ter sessões freqüentes, sempre seguidos de um aquecimento. Quando for constatado o aparecimento de dores, deve-se interromper as sessões para que não ocorra qualquer tipo de lesão mais séria. O bom desenvolvimento da flexibilidade facilita o aperfeiçoamento da técnica do desporto em treinamento dá condições de melhora na agilidade, força e velocidade, auxilia como fator preventivo contra lesões e contusões, entre outros, e provoca um aumento na capacidade mecânica dos músculos e articulações, ocorrendo assim, um aproveitamento econômico de energia durante o esforço.

* FORÇA DINÂMICA

Força dinâmica é o tipo de qualidade na qual a força muscular se diferencia da resistência produzindo movimento, ou seja, é a força em movimento. Na maioria dos casos de treinamento esta qualidade física é desenvolvida nas fases de preparação física geral. Pode ser chamada também como força máxima, força pura ou força isotônica. A força dinâmica pode dividir-se em dois subtipos: Força Absoluta, que é o valor máximo de força que uma pessoa pode desenvolver num determinado movimento; Força Relativa, que é o quociente entre força absoluta e o peso corporal da pessoa.

* FORÇA ESTÁTICA

A força estática ocorre quando a força muscular se iguala à resistência não havendo movimento. É a força que explica o fato que ocorre a produção de calor, mas não ocorrendo o movimento, é também conhecida como força isométrica. A força estática não está evidente em muitos desportos e sim em situações especiais das disputas onde ocorrem oposições para os gestos específicos da modalidade.

* FORÇA EXPLOSIVA

Força explosiva é a capacidade que o atleta tem de exercer o máximo de energia num ato explosivo. Pode ser chamado também de potência muscular. A força explosiva deve ser considerada em treinamento desportivo como força de velocidade, exigindo assim que os movimentos de força sejam feitos com o máximo de velocidade. Aconselha-se à força explosiva, um trabalho precedente de coordenação e de domínio do corpo, sendo que, após o mesmo, empregar pequenas cargas com o uso de medicinebol, sacos de areia, pesos leves, entre outros, pela necessidade de não se perder velocidade de movimentos, além do uso de pequenas cargas possibilitar um maior número de repetições de exercícios.

* RESISTÊNCIA MUSCULAR LOCAL

É a qualidade física que permite o atleta realizar no maior tempo possível a repetição de um determinado movimento com a mesma eficiência. O treinamento da resistência muscular localizada (RML) está condicionada por variáveis fisiológicas e psicológicas como: as condições favoráveis de circulação sangüínea local, uma grande concentração de mioglobina nos músculos locais o que permite maior armazenamento de sangue a nível muscular, a capacidade de consumo de oxigênio durante o esforço e a capacidade psicológica de resistir a uma repetição de esforço no mesmo grupo muscular. O desenvolvimento da RML apresenta alguns efeitos favoráveis: capacidade para execução de um número elevado de repetições dos gestos específicos desportivos; melhor elasticidade dos vasos sangüíneos; melhor capilarização dos músculos treinados; melhor utilização de energia; acumulação mais lenta de metabólitos nos músculos; maiores possibilidades para um trabalho posterior de desenvolvimento de qualquer tipo de força.

* RESISTÊNCIA ANAERÓBIA

É a qualidade física que permite um atleta a sustentar o maior tempo possível uma atividade física numa situação de débito de oxigênio. É a capacidade de realizar um trabalho de intensidade máxima ou sub-máxima com insuficiente quantidade de oxigênio, durante um período de tempo inferior a três minutos. O desenvolvimento da resistência anaeróbia em atletas de alto nível possibilita o prolongamento dos esforços máximos mantendo a velocidade e o ritmo do movimento, mesmo com o crescente débito de oxigênio, da conseqüente fadiga muscular e o aparecimento de uma solicitação mental progressiva. A melhoria da resistência anaeróbia está correlacionada aos seguintes efeitos e características nos atletas: aumento das reservas alcalinas do sangue; aumento da massa corporal; melhoria da capacidade psicológica; aperfeiçoamento dos mecanismos fisiológicos de compensação; melhores possibilidades para os atletas apresentarem variações de ritmos durante as performances.

* RESISTÊNCIA AERÓBIA

É a capacidade do indivíduo em sustentar um exercício que proporcione um ajuste cárdio-respiratório e hermodinâmico global ao esforço, realizado com intensidade e duração aproximadamente longas onde a energia necessária para realização desse exercício provém principalmente do metabolismo oxidativo. A melhoria da resistência aeróbia provoca os seguintes resultados nos atletas: aumento do volume do coração; aumento do número de glóbulos vermelhos e da taxa de oxigênio transportado pelo sangue; uma capilarização melhorada nos tecidos resultando numa melhor difusão de oxigênio; aperfeiçoamento dos mecanismos fisiológicos de defesa orgânica; redução da massa corporal; melhora da capacidade de absorção de oxigênio; redução da freqüência cardíaca no repouso e no esforço; diminuição do tempo de recuperação; pré-disposição para um ótimo rendimento no treinamento de resistência anaeróbia; aumento na capacidade dos atletas para superar uma maior duração nas sessões de treinamento.

* VELOCIDADE DE MOVIMENTOS

É a capacidade máxima de um indivíduo deslocar-se de um ponto para outro. A velocidade de deslocamento depende em grande parte do dinamismo dos processos nervosos atuantes no sistema motor e que tem como variáveis principais às fibras de contração rápida. Pode-se considerar a velocidade de movimentos dependendo de três fatores: amplitude de movimentos, força dos grupos musculares como fatores coadjuvantes, eficiência do sistema neuromotor como fator básico.

* VELOCIDADE DE REAÇÃO

A velocidade de reação pode ser observada entre um estímulo e a resposta correspondente. Tem como base fisiológica à coordenação entre as contrações e as atividades de funções vegetativas criadoras dos reflexos condicionados. Assim como a velocidade de movimentos, a de reação está ligada diretamente à predominância das chamadas fibras de contração rápida. A melhor indicação para o seu desenvolvimento é o emprego de um número grande de repetições de exercícios de tempo que poderão provocar automatismos nos gestos rápidos visados.

* AGILIDADE

É a qualidade física que permite um atleta mudar a posição do corpo no menor tempo possível. Deve ser desenvolvida desde o período de preparação física geral. O tempo é uma variável importante, o que evidencia a presença da velocidade na agilidade. A flexibilidade também é um pré-requisito para o desenvolvimento da agilidade.

* EQUILÍBRIO

O equilíbrio consiste na manutenção da projeção do centro de gravidade dentro da área de superfície de apoio. Apresenta-se de três formas: Equilíbrio Estático é o equilíbrio conseguido numa determinada posição, e não deve ser treinado em separado nas sessões de preparação física devendo fazer parte dos treinos dos gestos técnicos específicos do desporto visado; Equilíbrio Dinâmico é o equilíbrio conseguido em movimento e que depende do dinamismo dos processos nervosos, e seu desenvolvimento é obtido pela aplicação de exercícios técnicos do desporto em treinamento podendo ser trabalhado juntamente com os fundamentos técnicos da modalidade; Equilíbrio Recuperado é a recuperação do equilíbrio
numa posição qualquer e, embora deva ser treinado em conjunto com os gestos técnicos, muitas vezes se impõe um preparo especial paralelo pela evidência de uma deficiência dessa valência em atletas.

* DESCONTRAÇÃO

Qualidade física neuromuscular oriunda da redução da tonicidade da musculatura esquelética, apresentando se sob dois aspectos: Descontração Diferencial é a valência física que permite a descontração dos grupos musculares que não são necessários à execução de um ato motor específico, colaborando para a eficiência mecânica dos gestos desportivos, além dos atletas executarem as técnicas desportivas específicas com um máximo de economia energética; Descontração Total é a valência física que capacita o atleta recuperar-se dos esforços físicos realizados, estando ligada a processos psicológicos onde tem como variável principal à mente.

* COORDENAÇÃO

É a capacidade de realizar movimento de forma ótima, com o máximo de eficácia e de economia de esforços. Qualidade física considerada como um pré-requisito para que qualquer atleta atinja o alto nível. Tem como variável condicionante o sistema nervoso.
A coordenação possui graduações qualificadas como: elementar, fina e finíssima. A coordenação motora é muito exigida no futebol e seus vários elementos técnicos são aplicados em espaços reduzidos com oposição do adversário, com isso, suas ações devem ser realizadas em um pequeno espaço de tempo e nas mais diversas velocidades. Dentre as capacidades coordenativas, as mais importantes para o futebol são: capacidade de orientação, capacidade de adaptação e transformação dos movimentos próprios, capacidade de diferenciação, capacidade de reação, capacidade de combinação.

* PRECISÃO

Capacidade de executar atos técnicos precisos, certeiros, intensificando positivamente a produtividade do esporte.

A PREPARAÇÃO, FÍSICA, TÉCNICA, TÁTICA E PSICOLÓGICA.

. Preparação Física:

Preparação Física: aumento progressivo do volume e da carga de treinamento; ênfase dos sistemas aeróbicos, resistência, força + flexibilidade; utilização de exercícios de desenvolvimento geral (não renunciando totalmente a estímulos específicos).

. Preparação Técnica:

Análise das possibilidades técnicas dos atletas e da equipe;

Análise das destrezas específicas dos atletas.

· Preparação Tática:

Análise do nível de conhecimento e de aplicação dos atletas nos esquemas táticos necessários.

· Preparação Psicológica:

Análise psicológica dos atletas (testes e perfis); estudo da conduta treinadores/atletas; estudo de estímulos positivos a serem usados. A concentração é um preparo mental de fundamental importância para os atletas, através da concentração o atleta fará com que os músculos trabalhem em conjunto com a mente e o sentidos realizando movimentos mais perfeitos.

O atleta deve concentrar se quando for realizar uma partida, antes da realização de um jogo ele deve visualizar-se praticando e tendo bons resultados; com essas observações ele vai organizar os movimentos, adquirindo mais coordenação e isto lhe dará segurança necessária para se aperfeiçoar constantemente. (TEIXEIRA, 1995).

PROVA PADRÃO:

Prática de futebol com dois Tempos de 45min, sendo no Campo de Jogo 90 m X 68m e ou 120m por 70m.

MODELO DA PROVA:

Uma partida de futebol é disputada por duas equipes, cada uma composta de 11 jogadores, um dos quais é o goleiro. O número de reservas pode variar, as equipes devem se apresentar uniformizadas com calção, camisa, meias e chuteiras próprias para o jogo. Alem dos 22 jogadores participam do jogo também quatro oficiais de arbitragem: um árbitro, dois auxiliares e um representante que faz as anotações do jogo.

Oficialmente, uma partida de futebol é composta de dois tempos de 45 minutos cada, com um intervalo de 15 minutos para descanso. Antes de iniciar a partida o arbitro faz um sorteio entre as duas equipes para decidir quem sairá com a bola, e quem terá o direito de escolher o campo de jogo. A partida é iniciada no centro do campo, com as duas equipes no seu campo defensivo. Após o apito do arbitro a bola é tocada pelo o jogador encarregado do toque inicial dentro do circulo central, que chuta a bola para seu companheiro, para receber a bola, pode usar diferentes partes do corpo: cabeça, peito, coxa e pé.

O objetivo do jogo de futebol é marcar gols e impedir que o adversário faça o mesmo. Para isso é necessário que a bola seja deslocada pelos os jogadores que a passam entre si, conduzindo-a até chegar a uma posição que permita arremessar ou chutar contra a meta do adversário. Vence a partida a equipe que no final do tempo regulamentar fizer o maior número de gols

O TREINAMENTO

O treinamento tem como principal objetivo causar adaptações biológicas destinadas a aprimorar o desempenho numa tarefa específica (McARDLE; KATCH; KATCH, 1991).
“A elaboração metodológica tem assentado nas dominantes condicionais do treino desvalorizando-se as vertentes de índole coordenativa” (SANTOS, 1992, p. 105).
A demonstração facilita o aprendizado, pois instruir e depois demonstrar minimiza instruções mais complexas.

A demonstração apresenta particularidades que reduzem a incerteza na execução de uma habilidade motora (TONELLO; PELLEGRINI, 1998).

Treinamento Físico

O treinamento físico é definido por BARBANTI (2003:595), como o “tipo de treinamento cujo objetivo principal é desenvolver as capacidades motoras (condicionais e coordenativas) dos executantes, necessárias para obter rendimentos elevados, e que se faz através dos exercícios corporais”. Durante a iniciação geral e os períodos de preparação, deve-se utilizar a preparação física geral (KUNZE, 1987).

Após a determinação das características biológicas de cada indivíduo, inicia-se o planejamento das atividades. De acordo com BOMPA (2002), as cargas de treinamento devem aumentar gradativamente com a idade e com a progressão dos treinamentos. A duração das sessões de treino pode aumentar do início até o fim da temporada, quando atingirem por volta de noventa minutos; os treinamentos devem ser variados para se evitar um desgaste psicológico e a fadiga prematura. O aumento progressivo da carga inclui um aumento do número e da repetição dos exercícios, porém é importante observar o tempo de descanso após o aumento das repetições. Outro aspecto relevante é o aumento da freqüência de treinamento: o ideal é de duas a quatro sessões para cada jogo, pois assim haverá um desenvolvimento maior dos atletas durante os treinamentos do que nos jogos, isso no caso específico do futebol.

Para GONCALVES (1998), os principais fatores que devem ser considerados no programa de preparação física para o futebol, São: A capacidade do sistema respiratório (aeróbio e anaeróbio); Aumentar o volume de bombeamento sangüíneo pelo coração e o sistema circulatório; Hipertrofiar os músculos necessários; aumentar a força dos grupos musculares necessários e suas relações com tendões e ligamentos; Diminuir a presença do ácido lático muscular durante e depois da atividade do futebol.

O autor afirma ainda que após um desenvolvimento multilateral no início da vida atlética, os jovens atingem o período de treinamento especializado entre 15 e 18 anos, podendo assim atingir o ápice esportivo futuramente.

Mesmo durante a etapa de especialização do desenvolvimento, os atletas devem dedicar apenas de 60 a 80% do tempo de treinamento a atividades específicas da modalidade.
No estágio da especialização (15 – 18 anos), deve-se monitorar o volume e a intensidade do treinamento, para que os jovens evoluam com pequeno risco de lesões. Alguns aspectos são importantes nesta fase (BOMPA, 2002):

Aumentar o volume de treinamento para repetições e exercícios específicos a fim de facilitar o aprimoramento do desempenho; Envolver sempre que possível os atletas no processo de tomada de decisões.

O desenvolvimento da força deve começar a atingir os objetivos da modalidade específica; Aumentar progressivamente o volume e a intensidade do treinamento anaeróbio; Prática do treinamento mental, Exercícios que desenvolvam concentração, atenção, pensamento positivo, auto-regulação, visualização e motivação, a fim de melhorar desempenho na modalidade. A utilização de novos exercícios desenvolverá também a agilidade e a coordenação, auxiliando no processo de aquisição de novas habilidades e evitando lesões por esforços repetitivos.
Outro aspecto importante na programação esportiva é a nutrição dos atletas. Para GONCALVES (1998), os atletas necessitam de uma dieta balanceada, baseada em nutrientes necessários para a requisição diária do organismo e a performance nas atividades. REILLY (1997) afirma que a nutrição adequada, verificada por meio dos índices iniciais de glicogênio muscular, é um aspecto que pode diminuir a fadiga.

MICROCICLO

É um grupo de unidades de treinamento organizado de tal forma que o ótimo valor de treinamento pode ser obtido em cada unidade. (BARBANTE, 1997).

É um conjunto de atividades e constituem a unidade do treinamento. São as ondas pequenas do treinamento. Dura em geral de uma semana (dois a sete dias – 1 semana), com solicitações variadas em termos de Qualidade de Treinamento, variando também a estrutura de esforço.

(intensidade e volume) no seu curso. Os Microciclos subdividem-se das seguintes formas:

GRADUAIS OU CORRENTES

Preparam o organismo para responder aos trabalhos de treinamento. Tem um baixo nível de incitação. Caracterizam-se por um volume considerável e o nível limitado de intensidade (Quantidade de trabalho). É utilizado no período preparatório, principalmente no Geral e também em alguns, no Especial.

DE CHOQUE

Caracterizam-se por um grande volume global de trabalho e um elevado nível de incitação. Tem como finalidade estimular os processos de adaptação do organismo. Caracterizado pelo aumento de intensidade. Utilizado no Período Preparatório Especial.

DE ACERCAMENTO OU DE APROXIMAÇÃO

Utilizado na preparação do atleta com relação às situações e condições de competição. Modelam regimes e programas de competição. Seu conteúdo é variado, e estão relacionados às etapas de preparação do atleta.

DE RECUPERAÇÃO OU DE RESTABELECIMENTO

Utilizado ao final de uma série de Microciclos de Choque ou ao final do período de competição. São destinados a assegurar o desenvolvimento ótimo dos processos de recuperação. Exercem um grau débil/baixo de incitação (descanso ativo).

DE COMPETIÇÃO

Conformam-se de acordo ao programa de futuras competições, tendo em conta o número de partidas/torneios, e a duração dos intervalos que os separam. Buscam-se atuações regulamentares, em dias, horas, da própria competição. Tem-se em conta o Tapering off (diminuição global) da carga de treinamento.

FUNDAMENTA-SE NA RELAÇÃO ESFORÇO (CARGA) E RECUPERAÇÃO.

Sua construção é influenciada:

Pela particularidade da modalidade esportiva (necessidades).

Pela etapa do processo de treinamento em longo prazo > Qualificação do atleta: Período da periodização.

Pelo objetivo específico do treinamento.

Pela capacidade individual de recuperação > Estado de treinamento e

Pelas condições para o treinamento.

UNIDADE DE TREINAMENTO

É a menor fração do Processo de Treinamento. A estrutura da Unidade de Treinamento depende de:

Objetivos e conteúdo da sessão.

Utilização das fontes energéticas.

Especificidade das diferentes modalidades esportivas.

Na primeira parte são utilizados os exercícios que necessitam para a sua execução de uma recuperação completa e estada psicofísico repousada. Ex. coordenação, velocidade, força explosão e força máxima.

Na segunda parte são utilizados os exercícios que não necessitam para a sua execução de plena recuperação do organismo. Ex. exercícios de resistência, resistência de velocidade e de força. Na terceira etapa são aplicados os exercícios que podem ser executados em condições de estado psicofísico desgastado e sem a recuperação do organismo. Ex. resistência aeróbica.

COMBINAÇÕES MAIS FREQÜENTES:

VELOCIDADE + RESISTÊNCIA ANAERÓBICA

FORÇA MÁXIMA (Explosiva) + VELOCIDADE

RESISTÊNCIA ANAERÓBICA + RESISTÊNCIA AERÓBICA

FORÇA MÁXIMA (Explosiva) + RESISTÊNCIA DE FORÇA

TÉCNICA + OUTRAS QUALIDADES FÍSICAS

Exemplo de Unidade de Treinamento da preparação física do período específico

1- “Fartlek”: foi escolhido pela sua facilidade de aplicação, e quebra de rotina.

O Fartlek – pode ser entendido como o jogo de corridas e vem das palavras suecas “Fartlopning (correr) e Lek” (brincar).

2- objetivo

Trabalhar as qualidades físicas: resistência aeróbica; resistência anaeróbica; velocidade e força. Exercendo uma influência muito determinado, contribuindo para o desenvolvimento das funções vegetativas e motoras dos atletas.

3-Divisão de conteúdos a serem desenvolvidos na unidade:

1- Alongamentos e Aquecimento: Trote suave durante 5min ou 10min;

2- Corrida entre 1200e 2500m, em velocidade média uniforme;

3- Marcha rápida durante 5min;

4- Ciclo de corridas de velocidade média entre 50 e 60 metros intercalados por trotes até a normalização da respiração, para o atleta descansar para novos “piques” (sprints);

5- Marcha até a recuperação dos esforços anteriores;

6- “Arranques” de 3ma 4m, rompendo a inércia o mais rápido possível;

7- Corrida de 150m;

8- Trote para volta à calma.

4- Intensidade e volume de treinamento da Unidade:

- O método é uma alternância entre corridas rápidas e lentas;

- Os esforços são de intensidade média e de longa duração;

- A dosagem do esforço é feita pela seleção dos atletas;

- Há combinações entre todas as distâncias (de 50 metros até 2500 metros);

- O tempo das sessões varia de 40 e 120 minutos;

- Deve haver uma ênfase na soltura muscular durante as sessões;

- Nos percursos os atletas devem apresentar variações de ritmos de trabalho, embora a intensidades das corridas apresentam-se de acordo com as distâncias e o tempo dos esforços cronômetrados;

- Os intervalos entre os esforços (distâncias) são de acordo com o trabalho realizado, e devem ser utilizados com estímulos mais leves (trotes e marchas, por exemplo).

Nota: Segundo STAWCZYK (1973) citado por TUBINO (1979).

O “Fartlek” é uma Excelente forma de trabalho para ser colocado num microciclo de treinamento, como “Quebra de rotina” mas sem perder de vista as valências físicas visadas; ele sugere grandes oportunidades de criatividades nas sessões de treinamentos físicos; a dosagem dos estímulos deverá corresponder às possibilidades individuais dos atletas e as escolhas são responsabilidades dos treinadores.

REFERÊNCIAS:

ALMEIDA. M. Os jovens e a performance anaeróbia no Treino Desportivo. Lisboa, n. 20, p. 18-25, out. 2002. (Número Especial).

AUGUSTI, M. Treinamento de endurance para crianças e adolescentes. In: Revista Digital, Buenos Aires, ano 7, n. 37, jun. 2001. Disponível em: <www.Efdeportes.Com>. Acesso em: 15 nov.

BARBANTI, V.J. Teoria e Prática do Treinamento Desportivo. São Paulo. Editora USP, 1996.

BARBANTI, V. J. Dicionário de Educação Física e Esporte. 2. ed. Barueri: Manole, 2003.

BOMPA, T. O. Treinamento Total para Jovens Campeões.Tradução de Cássia Maria Nasser. Revisão Científica de Aylton J. Figueira Jr. Barueri: Manole, 2002. 248 p. São Paulo: FMU, 1996.

GONCALVES, J. T. The Principles of Brazilian Soccer. Spring City:Reedswain, 1998. Cap. 5, p. 63-85.

HEGEDUS, J de -Teoria General y Especial Del Entreinamiento Deportivo; Editorial Stadium,Buenos Aires, 1973.

KUNZE, A. Futebol. Tradução de Ana Maria de Oliveira Mendonça. Revisão Científica de Eduardo Vingada. Coleção Desporto n. 10. Lisboa: Estampa, 1987. Cap. 6, p. 129-141. (Condição Física).

LYDIARD, Arthur. Running to the top. Editora Meyer & Meyer Sport, 1995.

Mc ARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. Tradução de Giuseppe Taranto. 3aed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991. 510 p.

Mc GOWN, C. O Ensino da técnica desportiva. Treino Desportivo, Lisboa: [s.n.], II série, n. 22, p. 15-22, dez. 1991.

PERES, B. A. Estudo das variáveis antropométricas e de aptidão física de futebolistas japoneses e brasileiros. 1996. Dissertação (Mestrado) – Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo. 1996.

REILLY, T.; BANGSBO, J.; FRANKS, A. Anthropometric and physiological predispositions for elite soccer. Journal of Sports Sciences, [S.l.]: Taylor & Francis, v. 18, p. 669-683, 2000.

SANTOS, J. A. R. Preparador Físico: Realidade, logro ou utopia?Revista Horizonte, Lisboa: [s.n.], v. IX n. 51, p. 101-112, set./out. 1992.

SILVA, E.A.V. Esportes e Atividades Físicas. Rio de Janeiro.Guavira, 1997.Silva, V. F. Avaliação Qualitativa em Educação Física. SPRINT. Rio de Janeiro, 1990.

TEIXEIRA, Hudson Ventura. Educação Física e Desporto; Editora Saraiva, 1º Ed. 1995.

TONELLO, M. G. M; PELLEGRINI, A. M. A utilização da demonstração para a aprendizagem de habilidades motoras em aulas de Educação Física.Revista Paulista de

TUBINO, Manoel José Gomes. Metodologia Científica do Treinamento Desportivo; Editora Lisa, 1º Ed. 1979.

TUBINO, M.G. Valências Físicas. Editora Brasiliense. Rio de Janeiro, 1990.

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